A Capela São Domingos Sávio, anexa ao Colégio Salesiano “Dom Luiz Lasagna”, ganhou um novo marco arquitetônico e religioso com a instalação de um campanário composto por quatro sinos de bronze. A estrutura integra as celebrações dos 50 anos da construção da capela (1976-1978) e reforça a tradição cristã e a identidade salesiana em Araçatuba.

Os sinos foram instalados entre os dias 4 e 6 de março deste ano e passaram a compor o campanário projetado pelo arquiteto Emílio Ruas. Produzidos em bronze, eles possuem aproximadamente 110 kg, 75 kg, 56 kg e 26 kg, e contam com sistema automatizado que permite o acionamento em horários programados, marcando as missas e também diariamente ao meio-dia e às 18 horas, recordando a “Hora do Angelus”.

Segundo o proprietário da empresa Sinos Piracicaba e responsável pela fundição e instalação, Marcelo Campos, o processo exigiu atenção técnica devido à altura da estrutura e o acesso ao local. “O desafio foi justamente a instalação dos sinos no campanário, por causa da altura e da dificuldade de acesso. Eles são programados com motores e sistema de automação industrial”, explicou. Para garantir o funcionamento adequado ao longo do tempo, ele destacou a importância da manutenção preventiva, como a lubrificação das correntes dos motores e a conservação da pintura da estrutura metálica.

PATRONOS

Cada sino foi dedicado a um patrono, escolhidos por seu significado histórico e religioso. O maior deles é dedicado a São Domingos Sávio, padroeiro da capela. Outro sino faz referência ao Ano Santo de 2025, “Peregrinos da Esperança”, proclamado pelo então Papa Francisco. O terceiro homenageia Simão Bororo e o Pe. Rodolfo Lunkenbein, mártires da missão salesiana de Meruri, no Mato Grosso, cujo martírio completa 50 anos em 2026. O quarto sino recorda Dom Luiz Lasagna, patrono da obra salesiana em Araçatuba, nos 130 anos de sua morte (1895-2025).

Para o Reitor do UniSALESIANO e Diretor da Presença Salesiana em Araçatuba, Pe. Paulo Vendrame, os sinos possuem um profundo significado na tradição cristã. “O sino representa a voz de Deus. Desde os antigos mosteiros, ele marca as horas de oração, das reuniões e encontros, simbolizando Deus que reúne o seu povo para o louvor e para a oração”, explicou.

Ele afirmou ainda que o toque dos sinos também acompanha momentos importantes da vida da Igreja. “Na celebração da Missa, o sino chama a atenção para momentos significativos, como na consagração do pão e do vinho, quando se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo”, frisou.

MONUMENTO

Além de sua função religiosa, o campanário também foi pensado como um monumento simbólico para a sociedade araçatubense. A estrutura recebeu iluminação especial que acompanhará tanto os tempos litúrgicos da Igreja quanto campanhas sociais de conscientização. De acordo com Pe. Paulo Vendrame, o monumento poderá ser iluminado em cores específicas em períodos como o Advento e a Quaresma, com a cor roxa, no tempo comum com o verde, nas celebrações de Pentecostes e dos mártires com o vermelho, e no tempo pascal com o branco. Também participará de campanhas como Outubro Rosa, Novembro Azul e Setembro Amarelo. “Pela beleza e pelo significado, acredito que ao longo do tempo o campanário se tornará um marco na cidade de Araçatuba”, disse.

O projeto arquitetônico foi desenvolvido pelo arquiteto Emílio Ruas dentro de uma proposta de revitalização da Capela São Domingos Sávio. Segundo ele, a ideia nasceu a partir de uma sugestão do próprio Pe. Paulo Vendrame para valorizar mais o espaço religioso. Durante o processo, foram reorganizados os acessos ao local, modernizados os pisos com materiais drenantes, criado acesso para cadeirantes e eliminadas barreiras visuais que dificultavam a visibilidade da capela. Também foram corrigidos desníveis no adro, espaço externo de acesso ao templo.

GREGOS

O desenho do campanário foi inspirado nas linhas da própria capela, projetada pelo arquiteto Jorge Maeoka, na década de 1970. O edifício foi concebido em um terreno com desnível e apresenta um design inspirado nos anfiteatros gregos.

“Como se trata de um projeto da década de 1970, com linhas dinâmicas e ângulos marcantes, procuramos adotar a mesma linha projetual em um design limpo que dialogasse com a capela”, explicou.

A estrutura possui cerca de 12,5 metros de altura a partir do nível do adro e inclui um nicho projetado especialmente para acomodar os quatro sinos. Como eles produzem cargas dinâmicas durante o toque, foi necessário um cuidado especial no cálculo estrutural. Para conferir leveza visual ao conjunto, o projeto incorporou um monólito frontal com uma cruz escavada, que também funciona como elemento estrutural de estabilização.

Para Emílio Ruas, obras religiosas possuem um significado que vai além da arquitetura. “Toda construção humana revela algo sobre as pessoas que a habitam. Quando projetamos para uma comunidade cristã, buscamos também expressar o sentido da beleza, que é sinal da presença do invisível e da fé que move as pessoas”, concluiu.