O docente do UniSALESIANO, Prof. Francis Martins, concluiu, recentemente, o Mestrado em Educação Superior pela Universidad del Sol (UNADES), em Assunção, no Paraguai. Sua dissertação investiga o uso da inteligência artificial generativa como ferramenta de apoio à criação de materiais didáticos e resultou no desenvolvimento do livro infantil Fó — Aventuras pelo Cosmos, voltado à divulgação científica para crianças.

A pesquisa investiga o uso de inteligências artificiais generativas de imagens como ferramentas de apoio à produção de narrativas visuais voltadas ao ensino de ciências. O trabalho teve início em 2023, quando o professor passou a estudar, de maneira aprofundada, os modelos de geração de imagens por IA e o desenvolvimento de prompts, conhecimento que também foi incorporado às disciplinas do Curso de Jogos Digitais do UniSALESIANO.

Com incentivo do professor Hércules Farnese, o estudo evoluiu para uma dissertação de mestrado, que analisa o potencial dessas tecnologias na criação de materiais didáticos inovadores. “O objetivo nunca foi substituir o professor, mas oferecer uma ferramenta que amplie sua capacidade criativa. A inteligência artificial funciona muito bem como apoio, mas a curadoria humana é indispensável para garantir qualidade, coerência e valor pedagógico ao material produzido”, destacou Francis.

CONTEÚDO

Durante a pesquisa, o docente identificou uma lacuna significativa na literatura infantil científica em língua portuguesa, especialmente em conteúdo relacionado à astronomia e à física de partículas. A partir dessa constatação nasceu Fó — Aventuras pelo Cosmos. Na obra, os pequenos leitores acompanham, por meio de uma narrativa ilustrada, a trajetória de um fóton desde sua origem no Sol até sua chegada à retina humana, tornando compreensíveis conceitos científicos considerados complexos para essa faixa etária.

Segundo o pesquisador, o diferencial do trabalho está na construção de uma metodologia capaz de produzir personagens e cenários com consistência visual ao longo de toda a narrativa, um dos principais desafios enfrentados na geração de imagens por inteligência artificial.

A dissertação adota o conceito Human-in-the-Loop, no qual a inteligência artificial atua como infraestrutura de produção, enquanto o educador permanece como responsável pelas decisões pedagógicas e pela validação dos resultados.

O estudo reúne fundamentos da computação, da pedagogia e da narrativa visual, dialogando com teorias de Piaget, Vygotsky, Gardner e da Teoria da Carga Cognitiva. Também analisa tecnologias como Modelos de Difusão, LoRA (Low-Rank Adaptation), arquitetura Transformer e o modelo multimodal Google Gemini.

A comparação entre diferentes tecnologias levou à escolha do Google Gemini Flash Image como principal ferramenta da pesquisa, por oferecer maior consistência contextual e facilitar o trabalho de educadores que não possuem infraestrutura técnica especializada.

DEMOCRATIZAÇÃO

Os resultados da pesquisa indicam que, quando utilizada com supervisão humana, a inteligência artificial generativa amplia as possibilidades de criação de materiais didáticos, tornando mais acessível a produção de conteúdos científicos de qualidade.

Para Francis Martins, a tecnologia representa uma oportunidade de democratizar a autoria e estimular o letramento científico desde os primeiros anos da educação básica. “Estamos vivendo um momento de transformação tecnológica. A inteligência artificial ainda está em constante evolução, mas já demonstra enorme potencial para apoiar professores na criação de experiências de aprendizagem mais envolventes, visuais e significativas para as crianças”, concluiu.